• Como evitar que o ciclo menstrual atrapalhe sua rotina de treinos | HCor | Hospital do Coração
    Como evitar que o ciclo menstrual atrapalhe sua rotina de treinos

    Como evitar que o ciclo menstrual atrapalhe sua rotina de treinos

    Como evitar que o ciclo menstrual atrapalhe sua rotina de treinos

    Especialista do HCor dá dicas de como evitar que o ciclo menstrual atrapalhe sua rotina de treinos

    Alguns sintomas indesejáveis do período menstrual podem prejudicar o rendimento físico das mulheres

    Inchaço, dores e alterações de humor são apenas alguns sintomas típicos da tensão pré-menstrual. Para a atleta, treinar pode se tornar mais difícil quando o período se aproxima, pois além de prejudicar fisicamente, o desânimo pode minar as forças da esportista. A ginecologista do esporte do HCor, Tathiana Parmigiano explica que é importante trabalhar para que esses sintomas não atrapalhem o rendimento da atleta. “Toda mulher está sujeita a variações hormonais inerentes ao ciclo menstrual. Mas podemos tentar fazer com que a prática e o desempenho esportivo não sejam prejudicados por isso. A Ginecologia do Esporte é uma nova aliada e está atenta a essa realidade”, explica.

    Segundo a especialista, um dos segredos para se combater o desconforto gerado pela fase menstrual está nos contraceptivos hormonais. “Eles podem minimizar os sintomas de TPM (tensão pré-menstrual) como inchaço, cólicas, quantidade de fluxo, alterações de humor com grande eficácia, permitindo, ainda, o planejamento do ciclo de acordo com o calendário de treinos e competições, buscando-se, assim, um rendimento melhor”, explica. A especialista ressalta que a prescrição precisa ser individualizada, com um ginecologista de confiança. “No caso de atletas de elite, a prescrição de contraceptivos deve ser cuidadosa, pois alguns ainda são considerados doping pelo Comitê Olímpico Brasileiro” ressalta. Além disso, os antiinflamatórios podem ser usados antecipadamente ao estabelecimento das cólicas e auxiliam no seu combate.

    A alimentação balanceada também desempenha papel importante e auxilia na boa performance da atleta. Cálcio, magnésio e vitamina B6 são essenciais para que a TPM seja minimizada. “O cálcio é comum no leite, iogurte, queijo e seus derivados; já carnes, cereais integrais, banana e batata são fontes naturais de vitamina B6; o chocolate é também rico em magnésio, o que traz aquela sensação de ‘calmaria’ por causa da serotonina”, orienta a ginecologista.

    Segundo a especialista, a ingestão de chocolate deve ser feita com restrição, pelo seu teor calórico e por ser rico em gordura, o que em excesso também se torna prejudicial. Outros nutrientes indicados são os ácidos graxos essenciais encontrados nas castanhas-do-pará, nozes, amêndoas. Além desses, beber água, chás de ervas e alimentos diuréticos (como melancia) podem ajudar quando a sensação de peso e inchaço aparece.

    Além das alternativas para minimizar os efeitos desse período, há também a possibilidade de não menstruar. “A opção de não menstruar deve ser individual e não há problemas nisso, desde que seja algo planejado e bem orientado”, orienta.

    Para isso são usados contraceptivos hormonais: pílulas, anel vaginal, adesivo, implante subdérmico ou um determinado tipo de DIU. Mas a ginecologista alerta para a ausência de menstruação casual, que pode ser sinal de uma síndrome chamada de Tríade da Mulher Atleta, que inclui desordem alimentar, distúrbios menstruais e alterações ósseas, e deve ser tratada da maneira mais precoce possível. “A Tríade é desconhecida por 80% das atletas, e pode acontecer com mulheres de qualquer nível competitivo, sendo as corredoras uma população de maior risco. O diagnóstico precoce torna-se essencial, pois permite o tratamento adequado, evitando-se complicações a médio e longo prazo, além de evitar que as atletas sejam afastadas das atividades que tanto gostam”, explica.

    Além disso, a incontinência urinária, caracterizada pela perda involuntária de urina, pode estar presente entre praticantes de exercício, mesmo sem os clássicos fatores de risco. “Geralmente as pacientes que se queixam de perda de urina apresentaram partos ou cirurgias vaginais prévias, ou, ainda, são pacientes na menopausa. As atletas, entretanto, sobrecarregam o assoalho pélvico e podem apresentar esse sintoma, tendo sua concentração e performance prejudicados tanto em treinos como em competições”, esclarece.

    O assoalho pélvico é um grupo de músculos que sustentam os órgãos pélvicos e absorvem o impacto, garantindo a continência urinária e fecal. “Qualquer queixa deve ser valorizada para que o quadro não progrida. Até 50% das atletas podem apresentar perda, mas, mesmo assim, a grande maioria desconhece a importância do tratamento preventivo e curativo com fisioterapeutas especializados”, acrescenta.

    Com o aumento da participação das mulheres nos esportes, as particularidades relacionadas ao organismo feminino tem recebido cada vez maior atenção. “O papel da Ginecologia do Esporte é fruto dessa realidade. Essas mulheres, amadoras ou profissionais, desejam uma vida mais saudável e também melhores resultados, precisando que seus hormônios sejam aliados nessa busca.” finaliza a especialista.

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