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    HCor realiza novo tratamento que previne o risco de AVC em idosos

    HCor realiza novo tratamento que previne o risco de AVC em idosos

    HCor realiza novo tratamento que previne o risco de AVC em idosos

    Procedimento é indicado para pacientes idosos portadores de fibrilação atrial que possuem alguma dificuldade ao uso de anticoagulantes

    Pacientes idosos que possuem fibrilação atrial têm um novo tratamento para prevenir o risco de AVC. Realizado há poucos meses no Brasil e com cerca de 2 mil pessoas já tratadas no mundo com a técnica, o novo procedimento tem sido utilizado na prevenção de acidente vascular cerebral (AVC ou derrame) em pacientes idosos portadores de fibrilação atrial (arritmia cardíaca) que possuem alguma dificuldade ou contra-indicação para uso de anticoagulantes. A fibrilação atrial é a arritmia mais frequente encontrada na cardiologia, sendo muito comum em pacientes idosos.

    Este novo procedimento é realizado no Serviço de Hemodinâmica do HCor – Hospital do Coração, sob anestesia geral e é pouco invasivo (com duração de aproximadamente 1h30). “Durante o procedimento, é inserida uma prótese que veda o apêndice atrial esquerdo (estrutura em formato de dedo de luva) na câmara superior esquerda do coração, onde se formam os trombos que se desprendem e ocasionam o AVC. A prótese é guiada até o apêndice atrial, sendo levada por dentro de cateteres manipulados dentro do coração (que são conduzidos por uma sonda de ultrassom posicionada no esôfago). A prótese leva a oclusão total desta estrutura em mais de 95% dos casos impedindo a formação local de coágulos, também chamados de trombos. São eles que, quando se desprendem do coração, se deslocam podendo causar o AVC”, explica o cardiologista intervencionista do HCor, Dr. Carlos Pedra.

    Segundo Dr. Pedra, após o procedimento, é possível suspender o uso de anticoagulantes e os exames de controle do nível de coagulação. Os pacientes são mantidos com medicações mais simples para afilar o sangue como a aspirina, e podem retornar à sua vida normal em poucos dias, além da rápida recuperação. “Com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros, esta população tem crescido significativamente nos últimos anos e as doenças características desta faixa etária (como os problemas cardiovasculares) seguem ritmo semelhante. Daí a preocupação de buscar novos tratamentos que possibilitem uma melhoria na qualidade de vida”, esclarece Dr. Pedra.

    A indicação do novo tratamento:

    Geralmente os pacientes idosos dependem do uso contínuo de anticoagulantes para prevenir a formação destes coágulos. Porém, estima-se que em até aproximadamente 25 a 50% dos casos há alguma restrição a este tipo de medicação, especialmente por poderem causar sangramentos graves. Além disto, estes pacientes necessitam de controle contínuo para checar o nível de coagulação (grau de refinamento do sangue) por meio de exames periódicos com o objetivo de ajustar a dosagem.

    “É especialmente neste grupo, formado em sua maioria por pessoas com mais de 60 a 70 anos que o novo tratamento é indicado, pois possibilita suspender o uso de anticoagulante e proteger o paciente de uma possível embolia. Ainda se enquadram neste perfil de risco, os diabéticos, hipertensos e os que já tiveram no passado um AVC”, finaliza Dr. Pedra.

    A fibrilação atrial em pacientes idosos:

    A fibrilação atrial é um tipo de arritmia cardíaca em que a frequência e o ritmo do coração tornam-se anormais, sendo a arritmia cardíaca sustentada mais frequente na atualidade e mais comum em pacientes idosos. No Brasil, estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas sejam portadoras desta arritmia. Ela se apresenta como paroxística (curtos episódios inesperados), persistente ou permanente. Além de causar sintomas como palpitações, intolerância ao esforço e mesmo insuficiência cardíaca é diretamente responsável por 40% dos fenômenos trombo-embólicos (obstrução de vasos por coágulo de sangue) cujas manifestações mais graves são o “derrame cerebral” e a embolia pulmonar.

    Esta arritmia altera o ritmo do coração e o pulso se torna geralmente rápido e irregular. As duas câmaras superiores do coração (os átrios), que recebem o sangue do restante do corpo, tremem ou “fibrilam” em vez de bater normalmente. Durante uma batida normal do coração, os impulsos elétricos nascem de uma pequena área do átrio direito chamada nó sinusal. Durante a fibrilação atrial, porém, estes impulsos vêm de toda a superfície dos átrios, gerando 300 a 500 ativações por minuto.

    Na medida em que aumenta a idade média da população este distúrbio torna-se mais prevalente chegando à taxa de 9% aos 80 anos. No HCor – Hospital do Coração -, são atendidos por ano mais de 20 mil pacientes com fibrilação atrial e, nos últimos dez anos, ocorreu um aumento de 30% no atendimento desta arritmia devido a maior atenção dos médicos para a doença bem como o aumento da expectativa de vida da população.

    Na maioria dos casos tem sido possível reverter arritmia graças a modernas técnicas de tratamento. Entretanto, existem casos nos quais a arritmia pode ser mantida sob controle, com frequência cardíaca normal graças à utilização de novos medicamentos anticoagulantes e antiarrítmicos.

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