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    HCor realiza o primeiro implante de stent bioabsorvível

    HCor realiza o primeiro implante de stent bioabsorvível

    Utilizada para desobstruir artérias, prótese feita com plástico especial é eliminada gradativamente do organismo e reduz chances de novas obstruções nos vasos

    O HCor – Hospital do Coração -, em São Paulo, realizou o primeiro implante de stent bioabsorvível em um paciente que tinha comprometimento em três artérias coronárias. No mês passado, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a comercialização destes stents, que estavam sendo utilizados em pesquisas, e agora já podem ser colocados em pacientes com artérias coronárias obstruídas.

    Os stents bioabsorvíveis são próteses feitas de um tipo de plástico especial (um polímero) de uso biológico. Em contato com a parede dos vasos sanguíneos ele reage quimicamente, sendo transformado em água e dióxido de carbono, com objetivo de deixar os vasos livres das placas de gordura e do próprio stent, que serviu de “molde” quando foi implantado.

    Dr. Eduardo Sousa, responsável pelo Serviço de Hemodinâmica do HCor e criador do stent convencional e do farmacológico, bem como o responsável pelo primeiro implante do stent bioabsorvível em paciente no HCor, afirma que a reabsorção destes novos stents começa seis meses após o implante e desaparece em até dois anos sem deixar qualquer sinal do seu uso prévio.

    “Essa tecnologia não provoca novo risco ao organismo. Além disso, um dos efeitos do uso desse polímero é a diminuição do risco da formação de coágulos no local do stent, que é introduzido por meio da angioplastia, em pessoas com obstrução nas artérias. Inserido no vaso obstruído, ele permite a normalização do fluxo sanguíneo e diminui o risco de doenças como o infarto”, esclarece Dr. Sousa.

    Para Dr. Sousa, o fato de o novo produto ir desaparecendo com o tempo pode trazer algumas vantagens ao paciente, pois sendo eliminado, evita os riscos de trombose. “No caso do stent feito de metal, pode haver uma coagulação exagerada em torno da prótese, o que pode gerar a necessidade de um novo implante no futuro. Como o stent bioabsorvível vai se dissolvendo, a chance disso acontecer é menor”, afirma.

    Stent bioabsorvível – foi desenvolvido no século 21 e, uma vez implantado nos vasos entupidos, ‘empurra’ as placas de gordura, desobstruindo os vasos e normalizando o fluxo sanguíneo. Após seis meses, o dispositivo começa a ser absorvido pelo organismo e, em até dois anos, desaparece (dentro de seis a nove meses, os vasos não precisam mais de moldes para se manterem abertos). O fato de ser absorvido é a grande diferença entre esse stent e os demais.

    Embora o stent bioabsorvível tenha muitas vantagens sobre os metálicos farmacológicos, Dr. Eduardo Sousa acredita que os dispositivos utilizados atualmente não deixarão de existir conforme o novo stent for ganhando espaço na prática médica.

    “Há algumas situações em que os stents metálicos ainda são melhores, especialmente em casos de intervenções em vasos muito pequenos e tortuosos. Isso porque os dispositivos metálicos ainda são muito mais finos do que os bioabsorvíveis. Com o tempo, os bioabsorvíveis se tornarão uso padrão em grande parte dos casos, especialmente em pacientes mais jovens ou com outros problemas de saúde, como o diabetes, que fazem com que a doença progrida muito mais rapidamente”, finaliza Dr. Sousa.

    Dr. Eduardo Sousa – reconhecido mundialmente pela pesquisa, criação e implante dos primeiros stents em pacientes:

    Dr. Eduardo Sousa é mundialmente reconhecido por diversas inovações na medicina, entre elas a utilização do stent farmacológico. Trata-se de uma versão aperfeiçoada do stent convencional, pequena prótese metálica usada para alargar artérias obstruídas, preservando seu fluxo sanguíneo. A nova versão do stent, utilizada pelo Dr. Sousa, libera medicamento diretamente no local da obstrução, garantindo mais eficácia ao tratamento.

    Além disso, o Dr. Sousa realizou em todo o mundo o primeiro implante de stent convencional, em 1987. O procedimento é feito por cateterismo, evitando assim complexas e delicadas cirurgias cardíacas. Essas conquistas representaram um grande salto para a cardiologia brasileira, com repercussão mundial.

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