Imunologista do HCor alerta para os riscos cardíacos associados à febre amarela

Imunologista do HCor alerta para os riscos cardíacos associados à febre amarela

Imunologista do HCor alerta para os riscos cardíacos associados à febre amarela

Moradores das áreas de maior risco de contágio devem ficar atentos a sintomas como fraqueza, escurecimento súbito da visão, cansaço, perda de força, desmaios repentinos ou problemas relacionados ao sono e procurar auxílio médico o quanto antes; Isso porque a doença pode provocar inflamação do coração (miocardite), que pode ser acompanhada por quadros súbitos de insuficiência cardíaca, além de afetar terminações nervosas do coração e desencadear arritmias

Esta semana, um novo alerta de febre amarela soou em função da aparição do vírus na zona norte da capital. O vírus também está disseminado em grande parte das cidades do interior paulista. A situação é preocupante já que a doença pode representar grandes riscos à saúde. Afinal, logo após o contágio, a doença afeta diferentes órgãos do corpo, entre os quais estão alguns de importância vital, como o fígado, os rins, o cérebro e o coração. “São raros os casos em que a febre amarela afeta o coração. Porém, quando atinge este órgão, a doença pode levar a óbito, mesmo que o paciente infectado jamais tenha apresentado qualquer tipo de cardiopatia antes de contraí-la”, alerta o Dr. Dewton de Moraes Vasconcelos, imunologista do HCor – Hospital do Coração.

O médico explica que, nos casos em que acomete o sistema cardíaco, o vírus causador da febre amarela pode provocar miocardite (inflamação do músculo cardíaco), eventualmente, seguida por quadros súbitos de insuficiência cardíaca. Além disso, a doença pode afetar terminações nervosas do coração e desencadear arritmias. “Por isso, os moradores das áreas de maior risco de contágio da doença, como é o atual caso da zona norte, por exemplo, devem ficar atentos e procurar auxílio médico o quanto antes, caso apresentem sintomas de alguma destas complicações”, recomenda. “Quanto antes o socorro chegar, maiores são as chances de evitar eventos fatais ou mesmo sequelas que possam comprometer o funcionamento do coração no futuro”, afirma o imunologista, lembrando que, em casos de distúrbios cardíacos motivados por febre amarela, o paciente deve ser prontamente levado a um serviço de emergência com suporte cardiológico avançado que possa tratar arritmias ou uma eventual falência cardíaca.

Sintomas – De acordo com o Dr. Vasconcelos, os sintomas mais comuns de problemas cardíacos relacionados à febre amarela são: fraqueza, escurecimento súbito da visão, cansaço, perda de força, desmaios repentinos ou problemas relacionados ao sono provocados por dispneias (dificuldades para respirar), como a ortopneia – cuja ocorrência faz com que o indivíduo precise elevar bastante a cabeça ou mesmo ficar sentado para conseguir respirar, enquanto dorme. “Todos estes sintomas podem ser ainda mais comuns ou acentuados no caso de quem já apresenta algum tipo de cardiopatia”, acrescenta. “Portanto, o cuidado com a febre amarela deve ser redobrado no caso de pessoas que apresentem um sistema cardiovascular e imunológico mais frágil, como idosos, por exemplo”.

Tratamento – Transmitida em nosso meio pelos mosquitos dos gêneros Haemagogus ou Sabethes, encontrado em ambientes silvestres ou rurais, e Aedes aegypti ou A. albopictus, nas regiões urbanas, a febre amarela não conta com tratamento específico. Até que ela deixe o organismo, tratam-se apenas eventuais complicações ou os sintomas da doença em si – entre os quais estão febre; dor de cabeça; perda de apetite; náuseas; vômito; olhos, rosto e língua avermelhados; fotofobia; fadiga e fraqueza; além de dores musculares em todo o corpo, principalmente, nas costas. “Embora não haja tratamento específico para a febre amarela, é importante ressaltar que, em casos mais graves, o paciente deve ser encaminhado a uma Unidade de Terapia Intensiva”, acrescenta o Dr. Vasconcelos, lembrando que o uso de aspirina não é indicado em função do risco da doença se desenvolver de forma hemorrágica.

Prevenção – Se o tratamento é limitado, a prevenção da febre amarela oferece mais possibilidades. Basicamente, pode ser feita por meio de vacinas e do combate aos vetores de transmissão da doença. “No caso da vacinação, a recomendação é, além de cumprirmos com as determinações do Ministério da Saúde, quanto às doses por idade, sempre assegurar que idosos acima dos 60 anos, nunca antes vacinados, gestantes e lactantes passem por uma avaliação médica antes de receber a vacina”, lembra o imunologista. “Viajantes para áreas endêmicas também devem ser vacinados. Além disso, todas as pessoas que trabalham em laboratórios que manejam o vírus da febre amarela, indivíduos infectados pelo HIV ou mulheres que estavam grávidas quando tomaram a primeira dose da vacina devem ser vacinados também, antes da próxima viagem a locais de risco de exposição à doença”, acrescenta o médico.

Combate ao mosquito – Já em relação ao combate aos mosquitos transmissores da febre amarela, a dica é sempre utilizar repelente em zonas rurais ou de mata, além de seguir à risca todas as medidas de controle ao Aedes aegypti, amplamente divulgadas pela mídia – como evitar acúmulo de água em recipientes ou espaços da casa; instalar telas em portas e janelas; além de utilizar inseticidas e larvicidas em locais como ralos, vasos para plantas ou vasos sanitários. “Ao tomarmos todos estes cuidados, podemos enfrentar este surto de febre amarela com muito mais segurança”, conclui o imunologista do HCor.

 

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