Oncologista do HCor aponta novas perspectivas no tratamento do câncer

Oncologista do HCor aponta novas perspectivas no tratamento do câncer

Aumentar a taxa de cura e evitar que o portador de câncer sofra reações adversas provenientes do tratamento são alguns dos principais objetivos dos especialistas

Estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontam que nos próximos 25 anos o câncer assumirá a primeira posição no ranking das doenças mais letais. Atualmente são 12,4 milhões de novos casos no mundo e, de acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer) cerca de 500 mil no Brasil, sendo 236 mil em homens e cerca de 250 mil em mulheres. Quanto aos tipos, excluindo os tumores de pele, os mais comuns no homem são: próstata, pulmão, cólon e reto. Nas mulheres, mama, colo de útero, pulmão, cólon e reto. A incidência varia de acordo com as características de desenvolvimento de cada região do país.

Nos últimos 20 anos acompanhamos o avanço da medicina, da tecnologia e do conhecimento cada dia maior das neoplasias, que permite que as taxas de cura do câncer cheguem em torno de 60 a 70% dos casos.

Além da busca de tratamentos para conter a doença, agora um dos desafios da comunidade científica é planejar o futuro do paciente. “As possibilidades de cura giram em torno de 60% a 68% de forma geral, e em alguns tipos de tumores em 100%. A meta agora, além de aumentar a taxa de cura, é evitar que o portador de câncer sofra reações adversas provenientes do tratamento e tenha sua qualidade de vida comprometida. Ou seja, o tratamento tem foco na recuperação do paciente projetando os seus próximos 10, 20 anos de vida”, explica o responsável pela oncologia clínica do HCor, Dr. Cid Gusmão.

Segundo o especialista do HCor, a maior causa de morte por câncer no mundo é o de pulmão, diretamente relacionado ao cigarro e suas mais de 4 mil substâncias tóxicas existentes. Dessas, pelo menos 2 mil causam câncer. Estatisticamente, cerca de 98% dos casos de câncer de pulmão estão relacionados ao histórico de tabagismo. Portanto, não fumar diminui consideravelmente os riscos de se desenvolver um câncer de pulmão. Mas não só pulmão como também pâncreas, bexiga, cabeça e pescoço e laringe, entre outros.

Nos últimos 10 anos, o tratamento do câncer tornou-se obrigatoriamente multidisciplinar. Hoje envolve oncologistas clínicos, hematologistas, cirurgiões, radioterapeutas, patologistas e especialistas em fertilidade e aconselhamento genético, além de psicólogas, nutricionistas e fisioterapeutas, o que proporciona um sucesso cada vez maior no combate à doença. Tradicionalmente o tratamento envolve cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

Prevenção – O especialista explica que para a mulher é essencial fazer mamografia uma vez por ano, a partir dos 45 anos de idade. Somente esta medida reduz a mortalidade por câncer de mama em 30%. Outros exames como papanicolau e colonoscopia são importantes para evitar casos de câncer de colo de útero e cólon, respectivamente. No homem é indicado a colonoscopia, além do toque da próstata e o exame de PSA, a partir dos 50 anos, para prevenção de câncer de cólon e próstata.

A atividade física aliada a uma alimentação saudável também é uma importante forma de prevenção. Inclusive, a obesidade está relacionada a vários tumores, como os de mama e endométrio. Evitar o sobrepeso significa diminuir os eventos de câncer relacionados à obesidade. Outro fator importante é evitar a exposição solar, pois os tumores de pele estão diretamente relacionados aos raios solares. “Num país tropical como o nosso a população precisa aprender a usar protetor solar. São mudanças simples que vão contribuir para uma vida mais saudável e com menos riscos. Estudos apontam que simples mudança de hábitos, como parar de fumar, evitar o sedentarismo e modificar os hábitos alimentares pode reduzir em um terço as mortes por câncer”, finaliza Dr. Gusmão.