Neurocirurgião do HCor desenvolve nova terapia para combate à dor

Neurocirurgião do HCor desenvolve nova terapia para combate à dor

Destinado a pacientes com dores crônicas, a técnica consiste no implante de um eletrodo dentro do gânglio da medula espinhal, responsável pela transmissão da dor

Uma nova terapia para dor chega ao Brasil. Destinada a pacientes com dores crônicas (principalmente com lesão de nervos de qualquer tipo), que não obtiveram êxito com tratamento medicamentoso ou cirúrgico, a técnica inédita no país atua por meio da estimulação dos gânglios das raízes nervosas, um método de neuromodulação, em que um gerador emite impulsos elétricos através de um eletrodo posicionado no gânglio responsável pela transmissão da informação dolorosa.

O procedimento, considerado minimamente invasivo, consiste no implante de um fino eletrodo por meio de uma agulha, direcionando-o para o gânglio das raízes nervosas (dentro do canal da medula). “Os eletrodos são conectados a um gerador de estímulos elétricos (como se fosse um marca-passo). Com anestesia local, o procedimento é realizado em até uma hora e o paciente recebe alta no dia seguinte”, esclarece o neurocirurgião do HCor, Dr. Guilherme Lepski.

A nova terapia, denominada estimulação ganglionar para dor crônica, está sendo utilizada pela primeira vez no HCor. Em um estudo coordenado pelo Dr. Lepski com um grupo de pesquisa alemão, e publicado esse ano na revista Pain Physician, divulgou o resultado de longo prazo com 62 pacientes submetidos a estimulação ganglionar, sendo acompanhados durante três anos. “Com essa técnica, observamos uma melhora importante da dor e da qualidade de vida nesses pacientes graves, que não era conseguida antes com outros métodos”, explica o neurocirurgião.

 E como tratar a dor crônica? De acordo com o neurocirurgião do HCor e responsável pela técnica no Brasil, Dr. Lepski, a medula espinhal possui gânglios por onde chegam as fibras nervosas. E são exatamente esses gânglios que serão tratados por meio desta terapia.

Indicações para este tipo de tratamento: as principais indicações são para pacientes com dores neuropáticas refratárias ao tratamento clínico e multidisciplinar, como lesão de nervos periféricos causada por acidente ou por cirurgia (correção de hérnia inguinal, procedimentos ortopédicos em joelho, tornozelo ou mãos, cirurgia de hérnia de disco lombar, diabetes, herpes zoster, etc), dores isquêmicas em membros inferiores ou de origem cardíaca (angina refratária), entre outras condições clínicas.

Como funciona a estimulação medular?

Segundo o neurocirurgião do HCor, a técnica é relativamente simples, embora envolva um processo neurofisiológico complexo. Basicamente, a bateria (gerador) é conectada ao eletrodo que produz uma corrente elétrica transmitida para contatos elétricos sobre os gânglios das raízes nervosas. Esses gânglios transmitem impulsos para a medula e inibem o fluxo de informações dolorosas. “Por meio de nossos estudos, verificamos que o cérebro aprende a interpretar a informação dolorosa de modo normal, e não exagerado”, esclarece Dr. Lepski.