Pneumologista orienta sobre riscos de doenças respiratórias

Sintomas como tosse, secreção e febre (maior do que 37,7º) sinalizam comprometimento das vias aéreas e exigem acompanhamento médico. Este ano, antes mesmo do início do inverno, um surto do vírus H1N1 deixou a população em estado de alerta

Doenças respiratórias no inverno

O rápido avanço das doenças respiratórias criou uma preocupação ainda maior com a chegada da estação mais fria do ano, que potencializa o aumento de casos de contaminação. “O frio dificulta a dispersão de poluentes e de agentes infecciosos no ar, como os vírus. Portanto, a ocorrência de inflamações e infecções das vias aéreas, tanto superiores quanto inferiores, são muito mais frequentes. Desse modo, quadros de resfriado ou de gripe – ambas infecções virais – e complicações infecciosas bacterianas oriundas desses dois problemas, como rinite, sinusite, faringite, laringite, bronquite e pneumonias também se tornam bem mais comuns”, explica Prof. Dr. Carlos Carvalho, coordenador do Serviço de Pneumologia do HCor.

Dr. Carvalho acrescenta que esse processo também contribui com o surto da Influenza tipo A, causada pelo vírus H1N1 – e também conhecida como gripe suína –, que só este ano, no Brasil, já é responsável por cerca de 75% dos casos de doenças respiratórias registrados, até agora, no país e já provocou mais de uma centena de óbitos contabilizados em diferentes partes do território nacional. “O H1N1 é um tipo de vírus que sobrevive por mais tempo no frio. Além disso, as pessoas tendem a ficar em lugares fechados durante o inverno. Todos esses fatores contribuem bastante com o aumento do contágio da doença”, afirma. “Por isso, é fundamental que as pessoas busquem informações para saber como lidar com o problema e evitar prejuízos mais sérios à saúde”, explica o pneumologista.

Para orientar as pessoas sobre como prevenir e tratar algumas das doenças respiratórias mais comuns no inverno, o Dr. Carvalho tem algumas recomendações. “Por mais que possam causar incômodo e mal-estar, problemas de saúde desse tipo podem ser evitados ou controlados por meio de medidas relativamente simples. Por outro lado, a falta de cuidados pode gerar riscos cada vez maiores”, alerta o pneumologista.

Gripe, Resfriado & H1N1

Tratamento – “Medicamentos de venda livre para tosse, gripe e resfriado não solucionam o problema tão rapidamente, mas ajudam o paciente a se sentir melhor, enquanto combatem a ação viral dentro de seu organismo. Contudo, remédios desse tipo não podem ser oferecidos a menores de seis anos de idade, sem indicação pediátrica. Para acelerar a recuperação, é recomendável evitar exposição ao frio”.

Prevenção – “As doenças são causadas por vírus. Por isso, a chave para a prevenção é fortalecer o sistema imunológico por meio de uma boa alimentação – ou amamentação no caso de crianças – e hábitos saudáveis de vida. Outras medidas importantes são: lavar sempre as mãos; desinfetar torneiras, maçanetas, edredons, entre outras superfícies de contato frequente, com desinfetante
ou álcool; evite fumar ou permanecer perto da fumaça do cigarro; hidrate o corpo constantemente; consuma alimentos probióticos, como iogurtes; e durma pelo menos oito horas por dia – o que é fundamental para a saúde do sistema imunológico. A vacina contra gripe tri ou tetravalente também é um meio de prevenção eficiente, inclusive no caso da H1N1, já que é eficaz em cerca de 89% dos casos, quando tomada na época certa. Porém, vale lembrar, que é preciso se vacinar anualmente, já que os vírus responsáveis pelos diferentes tipos de gripe sofrem alterações todos os anos”.

Rinite & Sinusite

Tratamento – “O uso de solução salina para o nariz e inalação podem aliviar a irritação nas vias aéreas e ajudar na respiração. O uso de umidificadores em dias de ar seco também é recomendável. Porém, em casos de infecção por sinusite ou alergias que desencadeiem rinite, é importante procurar um pneumologista ou um otorrinolaringologista para que ele possa receitar antibióticos, caso necessário”.

Prevenção – “Quanto aos métodos de prevenção, é importante evitar o cigarro ou ficar perto da fumaça que ele emite. Evitar permanecer no frio e procurar alternativas para se afastar da poluição atmosférica também é importante. Além disso, pessoas que sofrem com esses tipos de doença frequentemente devem procurar um médico para a realização de exames e a prescrição da medicação correta”.

Faringite & Laringite

Tratamento – “Para ambas as doenças, o tratamento pode ser feito com analgésicos e antitérmicos. Caso não sinta melhora após 24h ingerindo os medicamentos, é recomendável procurar um médico que poderá receitar um antibiótico, caso a infecção seja bacteriana”.

Prevenção – “Pare de fumar e evite ingerir álcool em excesso. Manter uma boa alimentação e um estilo de vida saudável ajudam a fortalecer o sistema imunológico contra os vírus que provocam a doença. Outra medida importante é procurar um médico, caso sinta rouquidão por mais de uma semana. Isso pode ajudar na prevenção de problemas graves, como câncer de laringe”.

Bronquite

Tratamento – “Alguns casos são curados naturalmente sem a ação de medicamentos. Quando isso não ocorre, o problema pode ser tratado por meio de antibióticos, em casos bacterianos, antialérgicos, medicamentos para asma ou DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), caso o paciente apresente alguns desses dois problemas”.

Prevenção – “É possível prevenir bronquite por meio de medidas como não fumar, tomar vacina contra gripe ou contra o pneumococo (agente causador da pneumonia). Além disso, evitar ambientes poluídos ou que tenham sido contaminados por fortes agentes químicos ajuda a proteger os pulmões de contrair irritação. Lavar as mãos constantemente e desinfetar superfícies de contato frequente também são medidas importantes para prevenir contaminação por vírus”.

Pneumonia

Tratamento – “Em casos de pneumonia, o tratamento costuma ser feito basicamente por meio de antibióticos. Em casos nos quais o paciente é idoso, apresenta febre ou complicações em decorrência da própria doença, como comprometimento da função renal, alteração da pressão arterial, dificuldade de respirar – geralmente provocada pela baixa oxigenação do sangue –, é necessário que ele seja internado, o quanto antes”.

Prevenção – “A doença pode ser evitada a partir de medidas como deixar de fumar – cigarro baixa imunidade dos pulmões – e lavar as mãos sempre que assoar o nariz, ir ao banheiro ou precisar trocar fraldas, por exemplo. Outro método possível é a utilização de vacinas. Mas, para isso, é preciso orientação médica”.

Chá caseiro funciona?

Chá caseiro para gripe

Muito se discute sobre a eficácia de soluções caseiras para doenças respiratórias.

Enquanto alguns criticam, outros dizem que não há nada melhor. Mas o que será realmente mito ou verdade sobre os chás?

“Quadros gripais são comuns nessa época do ano, por isso os remédios caseiros são tão populares. Contudo, independentemente do que o paciente estiver ingerindo, é preciso procurar um médico, caso ele apresente sintomas como tosse, secreção e febre (maior do que 37,7º) de 3 a 5 dias”, explica Dr. Carvalho.

Sobre a prescrição de xaropes, o pneumologista é enfático.

“Os xaropes, de maneira geral, costumam ter duas ações principais: inibir a tosse e dissolver secreções. Como inibidor de tosse, algumas vezes pode ser bastante perigoso, já que a tosse é um mecanismo reflexo e de proteção de nosso organismo, assim sua inibição pode ser deletéria. Como mucolítico, não há qualquer estudo científico que comprove sua eficácia”, conclui.