• Dieta com alimentos do Brasil reduz risco cardíaco | HCor | Hospital do Coração
    Dieta com alimentos do Brasil reduz risco cardíaco

    Dieta com alimentos do Brasil reduz risco cardíaco

    Dieta com alimentos do Brasil reduz risco cardíaco

    Dieta brasileira reduz fatores de risco para doenças cardiovasculares

    A Dieta Cardioprotetora Brasileira é um projeto do HCor em parceria com o Ministério da Saúde. A Fase piloto desse estudo ocorreu em 2011 e os resultados, publicados em dezembro de 2012 na revista científica Clinics, são otimistas: mostraram que os pacientes que receberam a dieta adaptada conseguiram perder peso e reduzir os índices de pressão arterial, a glicemia, o triglicérides e o índice de massa corporal (IMC).

    Pacientes dos grupos-controle, que receberam a dieta usualmente prescrita na prática da nutricionista, também melhoraram os índices, mas de maneira menos intensa.

    Agora a pesquisa será ampliada e realizada em 40 hospitais do Brasil, exclusivamente com pacientes do SUS, para o recrutamento de 2000 pacientes que já sofreram algum evento cardiovascular.

    Como parte dessa dieta adaptada o cardápio foi adaptado aos hábitos alimentares brasileiros, especialmente às pessoas das classes C e D. Em adição ao cardápio da dieta, um livro de receitas elaborado para a pesquisa será entregue aos pacientes com receitas deliciosas.

    “Essa é uma dieta direcionada para um público mais vulnerável, por isso precisava de uma abordagem especial. A gente espera aumentar a adesão por ser financeiramente mais acessível, já que valoriza alimentos regionais”, diz Eduardo Fernandes Nilson, coordenador-substituto de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde.

    A equipe de nutricionistas do HCor adaptou mais de cem receitas à realidade brasileira: salmão e atum foram trocados por pescada e sardinha; azeite extravirgem por óleo de soja; nozes por castanhas do Pará; queijo branco no lugar do amarelo; e leite desnatado em vez de integral.

    “Temos grande diversidade de legumes, verduras, frutas e peixes. Selecionamos esses alimentos, disponíveis no Brasil inteiro, e adequamos para uma dieta”, afirma Maria Beatriz Ross, nutricionista do HCor.

    Bandeira do Brasil

    O cardápio adaptado contempla todos os tipos de alimentos. O diferencial é que eles foram divididos em três cores, de acordo com a bandeira brasileira: verde (frutas, verduras, legumes e desnatados), amarelo (pães, massas, arroz e batata) e azul (carnes, peixes e aves). A ideia é pensar na bandeira na hora de montar o prato, respeitando a proporção das cores.

    “Alimentos do grupo verde devem ser consumidos em maior quantidade, os amarelos de forma moderada e os do grupo azul em menor quantidade. Usamos a bandeira como referência para facilitar o entendimento e a adesão dos pacientes”, diz Beatriz.

    Para iniciar o projeto-piloto, o hospital selecionou 120 pacientes após evento cardiovascular. Eles foram divididos em três grupos: um recebeu a dieta adaptada e orientação da nutricionista toda semana; outro recebeu a dieta usualmente prescrita na prática clínica da nutricionista e orientação semanal; e o último recebeu a mesma dieta usual do outro grupo, mas com acompanhamento nutricional mensal.

    Eles foram monitorados por três meses. “A ideia era avaliar os efeitos bioquímicos nos pacientes que receberam a dieta adaptada e descobrir a influência do acompanhamento da nutricionista no processo”, diz.

    Segundo Beatriz, os resultados da fase-piloto são animadores porque mostram redução dos fatores de risco em todos os pacientes do grupo que recebeu a nova dieta. “O número de pessoas com sobrepeso e obesidade no grupo que teve a intervenção da dieta adaptada caiu, o que não aconteceu de maneira significativa nos outros grupos.”

    A redução da pressão arterial também surpreendeu as pesquisadoras. “Todos tomam medicação para controlar a pressão. Ainda assim, os índices melhoraram, o que mostra que uma alimentação saudável e acessível pode ajudar a pessoa a reduzir o uso de remédios”, avalia.

    Carlos Magalhães, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), apoia a proposta. “Por enquanto, a dieta mediterrânea é a que mostra melhores resultados na prevenção de eventos cardiovasculares. Se conseguirmos adaptá-la à nossa realidade, será muito mais fácil conseguir a adesão da população”, diz.

    Unidades