Mulheres têm 50% de probabilidade de infarto maior quando comparada aos homens

Mulheres têm 50% de probabilidade de infarto maior quando comparada aos homens

O aumento da incidência de eventos cardiovasculares na mulher é consequência da maior longevidade atual da população e do estilo de vida; Somado a esses sinais, outras condições negligenciadas pelas mulheres as transformam em vítimas potenciais, como o crescimento da obesidade, o descontrole do diabetes e dos níveis do colesterol, tabagismo, sedentarismo, entre outros fatores

Estudos médicos apontam que no Brasil uma em cada cinco mulheres tem risco de sofrer um infarto. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres, de acordo com o Ministério da Saúde. Aproximadamente 20 mil óbitos são decorrentes de problemas cardiovasculares: a primeira causa de morte é o AVC (Acidente Vascular Cerebral) e a segunda é o infarto. Essa incidência vem crescendo entre as mulheres e a taxa de mortalidade por infarto é maior no público feminino.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), as doenças cardiovasculares são responsáveis por 1/3 de todas as mortes de mulheres no mundo, o equivalente a cerca de 8,5 milhões de óbitos por ano, mais de 23 mil por dia. Estimativas também apontam que o risco de óbito por infarto na mulher é 50% maior quando comparada aos homens.

Para o cardiologista e coordenador do Programa de Infarto Agudo do Miocárdio do HCor (Hospital do Coração), Dr. Leopoldo Piegas, isso acontece por uma série de fatores. Um das explicações refere-se ao menor calibre das artérias das mulheres. As placas ateromatosas (depósito de gordura que se forma e desenvolve no interior das artérias) tendem a fechar mais as artérias delas do que dos homens, o que faz com que a obstrução seja mais grave, tornando-as mais propicias a oclusões arteriais.

“O hormônio feminino estrógeno tem função vasodilatadora nos vasos coronários e também evita o acúmulo do LDL (colesterol ruim) que forma as placas de gordura, e aumenta o HDL, colesterol bom e protetor. Mas, na menopausa, período em que as mulheres estão mais velhas e mais propensas a males cardiovasculares, o estrógeno apresenta queda progressiva e diminuição desse efeito protetor”, esclarece Dr. Piegas.

Atenção aos sinais

O que preocupa os médicos é que, diferentemente dos homens, as mulheres nem sempre percebem os sinais de que algo está errado. Um dos principais sinais de alerta está no colesterol. O bom, HDL, deve estar acima de 50 mg/dl. O mau, LDL, abaixo de 100 mg/dl e a pressão arterial não deve passar de 12 por 8.

“As mulheres se queixam mais de dores nas costas, cansaço, queimação no estômago e náusea. E esses sinais nem sempre são reconhecidos e relacionados ao coração. Pois eles fazem com que as mulheres associem o mal-estar a problemas gastrointestinais ou ortopédicos, o que as levam a procurar socorro médico mais tarde”, alerta o cardiologista do HCor.

O aumento da incidência de eventos cardiovasculares na mulher é consequência do envelhecimento natural e do estilo de vida. “Somado a esses sinais, outras condições negligenciadas pelas mulheres as transformam em vítimas potenciais, como o crescimento da obesidade, o descontrole do diabetes e dos níveis do colesterol, tabagismo, sedentarismo, o estresse do dia a dia e a pressão arterial elevada. A jornada tripla da mulher moderna aumentou o estresse e a ansiedade – fatores que também as deixam mais suscetíveis aos problemas cardíacos”, explica.

Com o envelhecimento, a pressão arterial e o nível de colesterol tendem a aumentar. A falta de atividade física e a dieta inadequada levam ao sobrepeso e à obesidade, que também aumentam o risco cardiovascular. “A obesidade é um dos fatores de risco mais preocupantes, já que o número de mulheres obesas no Brasil cresceu 64% em 10 anos. Quando a mulher fuma e usa pílula anticoncepcional, os riscos cardiovasculares são triplicados”, diz Dr. Piegas.

Mesmo podendo acometer todas as pessoas em faixas etárias distintas, o infarto é ainda mais frequente em homens, a partir dos 55 anos, e nas mulheres, após 65. “O infarto acontece em decorrência da oclusão arterial. Sem receber o sangue, o tecido não irrigado morre. Trata-se de uma doença traiçoeira, pois nem todos pacientes apresentam sintomas característicos e a sobrevida depende do diagnóstico e tratamento precoce”, aconselha.

Doenças cardiovasculares em mulheres:

  • Entre as brasileiras, 1 em cada 5 mulheres adultas está em risco de desenvolver doenças cardiovasculares;
  • O infarto em mulheres tem maior risco (é mais fatal) do que entre os homens;
  • No mundo, as doenças cardiovasculares são a maior causa de mortes entre as mulheres, com 8 milhões de mortes por ano. Este número é oito vezes maior do que o de mortes por câncer de mama;
  • Apesar do alto risco, poucas mulheres visitam o cardiologista regularmente;
  • No Brasil, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres;
  • Os sintomas das doenças cardíacas nas mulheres geralmente são diferentes dos sintomas nos homens. Quando o homem vai ter um infarto, costuma sentir uma forte dor no peito que irradia para os braços. Já nas mulheres é comum sentir náusea, fraqueza, dores gástricas e falta de ar: sintomas que podem ser confundidos com outras doenças.