Ablação por Radiofrequência

Ablação por Radiofrequência

Ablação por Radiofrequência

A ablação por radiofrequência é o procedimento mais eficiente para o tratamento definitivo das arritmias cardíacas. É realizada através dos cateteres por veias e artérias, sem a necessidade de abertura do tórax. Dessa forma, a recuperação é muito rápida e o paciente pode sair do hospital de 24 a 48 horas depois do procedimento, que é totalmente indolor.

Normalmente, a ablação é precedida pelo estudo eletrofisiológico e pelo mapeamento dos focos de arritmias, realizados no mesmo procedimento.

Com as técnicas e a infraestrutura atualmente utilizadas pela equipe de arritmias do HCor, tem-se obtido elevado índice de cura das arritmias sem complicações.

Qual a sua finalidade?

É o tratamento definitivo, com o objetivo de curar as arritmias cardíacas. Dessa forma, além de eliminarmos os sintomas e o risco da doença, o paciente não depende mais do uso contínuo de medicamentos, ficando livre dos efeitos colaterais e custos mensais de compra.

O que é Ablação por Radiofrequência Termocontrolada por Computador?

Trata-se de uma microcoagulação feita com energia de radiofrequência, aplicada com cateteres especiais nos focos das arritmias, que são mapeadas pelo estudo eletrofisiológico. Um computador faz o ajuste permanente da quantidade de energia que o aparelho aplica no coração, para que a temperatura sentida pela ponta do cateter seja constante e não ultrapasse os limites de segurança.

A ablação termocontrolada é o método mais seguro para tratar as arritmias cardíacas.

Quando é indicada?

A maior parte das arritmias cardíacas pode ser curada com a ablação por radiofrequência. Dessa forma, os pacientes com arritmias de alto risco, os que respondem mal ao uso de medicamentos ou os que necessitam de altas doses para controle são os mais beneficiados. As arritmias de baixo risco também podem ser eliminadas, principalmente nos casos com alta probabilidade de sucesso. Podem ser tratadas por este método as taquicardias supraventriculares e as taquicardias ventriculares. Extrassístoles frequentes e sintomáticas também podem ser curadas.

Atualmente, melhorias nos equipamentos de mapeamento permitem um tratamento com elevado índice de sucesso da fibrilação atrial, uma taquicardia supraventricular específica que tem elevada incidência na população.

Preparo para a Ablação:

Como a ablação normalmente compreende um estudo eletrofisiológico, o preparo é muito semelhante. Alguns remédios deverão ser suspensos antes do procedimento.

• Recomenda-se jejum de 6h;

• O preparo é feito com depilação nas regiões inguinais e torácica, exame pré-operatório básico de sangue e eletrocardiograma;

• É instalado um soro para administrar medicações endovenosas.

Como é feito?

O paciente é orientado e preparado pela enfermeira da unidade onde ficará internado. No HCor, as ablações são realizadas em um laboratório especialmente montado no centro cirúrgico, o que acrescenta uma enorme e moderna estrutura de suporte, garantindo maior segurança na realização destes procedimentos.

Chegando ao laboratório de eletrofisiologia, o paciente é recebido pelas equipes de medicina e enfermagem, que irão prepará-lo e conectá-lo a vários monitores (polígrafo computadorizado, aparelhos automáticos de medida de oxigênio, gás carbônico, pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória). Serão aplicados medicamentos através do soro previamente instalado. Além da anestesia endovenosa é feita anestesia local. Nesse momento, o paciente já está dormindo. Por meio de punções de veias e, eventualmente, de artérias nas regiões inguinais, são introduzidos eletrodos, que chegam às cavidades cardíacas guiados por radioscopia (Raios X). Todo o procedimento é realizado pela virilha, dispensando o uso de veias subclávias (perto do pescoço), resultando em pós-operatório confortável, indolor, com apenas um curativo e menores possibilidade de complicações.

Esses cateteres captam os sinais gerados pela atividade elétrica do coração, que são registrados em aparelhos especiais. Isto permite a identificação dos pontos responsáveis pela origem ou manutenção das arritmias. Com um cateter especial (dotado de termístor e com dirigibilidade externa), é feita a aplicação de radiofrequência nos locais selecionados. A duração da ablação é variável conforme cada caso. Ao término dos procedimentos, é feita compressão no local da punção e aplicado um curativo compressivo, sem a necessidade de pontos. Neste momento, a anestesia é interrompida com o uso de medicamentos específicos, o paciente acorda e é encaminhado ao seu quarto, na companhia dos familiares.

Quais são os riscos?

O estudo eletrofisiológico e a ablação por radiofrequência são considerados métodos seguros, mas podem ocorrer algumas complicações, como em todo procedimento médico. Apesar de se utilizar uma quantidade reduzida de raios X, não é recomenda a realização durante a gravidez. Em casos de extrema gravidade, pode ser realizado em grávidas com cuidados especiais.

• Hematomas: Pode aparecer no local onde foram feitas as punções. Normalmente, são facilmente resolvidos. Para diminuir a chance de hematomas, o paciente deverá ficar em repouso por algumas horas após a ablação;

• Trombose (coágulo de sangue): Na veia ou artéria onde foram feitas as punções, diante de situações especiais, poderá ocorrer a formação de coágulos no interior desses vasos, apesar do uso de anticoagulantes. Rotineiramente, durante e após os procedimentos, são tomadas medidas para evitar este problema. O uso de anticoncepcionais hormonais, o tabagismo, a idade avançada, o diabetes, sexo feminino, dentre outros, são fatores predisponentes que necessitam de cuidados adicionais para a prevenção deste problema. Sempre solicitamos fisioterapia precoce nos membros inferiores e o paciente permanece acamado pelo menor tempo possível. Os familiares poderão ajudar, fazendo uma “drenagem” manual no pós-operatório e nas duas pernas, com massagens desde o pé até a raiz da coxa e sempre nessa direção, facilitando a circulação e impedindo que o sangue fique estagnado, situação que é favorecida pelo curativo compressivo;

• Infecção: Por ser um procedimento realizado sem a abertura do tórax, o risco de infecção é muito baixo. Além disto, se a ablação é realizada no centro cirúrgico, o risco é ainda menor. Não temos registro de infecção no local das punções em nossos pacientes. Não obstante, utiliza-se frequentemente um antibiótico profilático. Atenção ao curativo complementa os cuidados necessários;

• Bloqueios: Em casos raros, a via anormal ou o foco responsável pela arritmia pode estar muito próximo do sistema normal de condução do coração. A eliminação desta via anormal ou do foco poderá gerar certo risco de lesão do sistema normal e provocar algum tipo de bloqueio transitório ou permanente. Dependendo do bloqueio, poderá ser necessário o implante de um marca-passo. Nesses casos especiais, o médico discutirá esses riscos com o paciente. Em casos de dúvidas, não hesite em tirar suas dúvidas com um profissional do HCor para abordar este assunto. São utilizadas técnicas modernas e aparelhos especialmente desenvolvidos para evitar esse tipo de complicação, mesmo nos casos onde esse risco é evidente.

Orientações adicionais após o procedimento

As punções não requerem pontos, apenas um curativo compressivo no local é suficiente. O paciente retorna ao quarto acordado e permanece em repouso absoluto, com a perna imobilizada por 4 a 6 horas. A alimentação é liberada em algumas horas. A pressão sanguínea, o pulso e o local do curativo são examinados atentamente pela enfermagem. A “drenagem” dos membros inferiores é orientada e pode ser realizada pela própria família no quarto, para envolver diretamente os familiares na recuperação do paciente.

Na alta hospitalar

O paciente será orientado pela enfermeira quanto aos cuidados com o local da punção e não é necessário refazer o curativo. A região deve ser lavada com água e sabão, mantendo-a sempre seca e limpa. Em alguns casos, serão receitados alguns medicamentos, inclusive antiarrítmicos. O retorno ao trabalho geralmente ocorre dentro de três dias a uma semana. O paciente recebe um relatório completo, que contém as informações sobre tudo o que foi realizado e fotos dos locais do coração que foram tratados. É comum o aparecimento de manchas arroxeadas na virilha, onde foram realizadas as punções, e também em regiões mais afastadas, como a face anterior, medial ou posterior da coxa. Essas manchas são provocadas pelo extravasamento de sangue, que ocorre durante o procedimento, principalmente no pós-operatório, quando o paciente não segue as orientações corretamente. Esse sangue, retido nas camadas mais profundas, aparece sob a pele dias após o procedimento e não deve assustar o paciente. Se houver dor local, calor, vermelhidão, secreção ou endurecimento local ou próximo, o paciente deve informar rapidamente à equipe para que providências adicionais sejam tomadas e evitar complicações. O paciente tem toda a liberdade e deve aproveitar-se dela para desfazer qualquer dúvida a qualquer momento, o que evita, muitas vezes, maiores complicações.

Retorno ao médico que indicou a ablação

Após a ablação, o paciente deverá retornar ao médico que solicitou o procedimento, de posse do relatório emitido ao final do mesmo. O médico que encaminhou o caso deverá manter o controle clínico baseado nas informações do relatório.

A maioria dos pacientes sente “ameaças” de taquicardias até o segundo ou terceiro mês após a ablação (é a chamada “síndrome pós-ablação”). Isto não é preocupante e costuma desaparecer naturalmente.

De acordo com o tipo de arritmia e o local tratado, em 2% a 5% dos casos, a arritmia poderá voltar após a ablação. Nesses casos, frequentemente, uma aplicação complementar de radiofrequência resolve definitivamente o problema.

  • Sempre que possível, é fundamental realizar um eletrocardiograma durante a arritmia;
  • Isso é importante, pois, eventualmente, outras arritmias podem ser as responsáveis pela suspeita de recorrência.

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