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Conheça as doenças cardiovasculares que afetam a maior artéria do corpo: a aorta

Apresentando uma alta taxa de morbimortalidade, as doenças cardiovasculares que afetam a aorta são responsáveis por mais de 6,5 mil mortes por ano no Brasil.

A aorta é uma das maiores e mais importantes artérias do corpo humano responsável por levar oxigênio para todo o organismo. Dela derivam todas as outras artérias, com exceção a pulmonar.

Não surpreende então que as doenças cardiovasculares que acometem essa estrutura apresentem alta taxa de morbimortalidade – conceito que combina morbilidade e mortalidade. De acordo com a Scientific American, mais de 15 mil pessoas morrem anualmente nos Estados Unidos por rompimento ou dissecção de aneurisma no peito ou no abdômen – mais pessoas do que as que morrem de Aids. No Brasil, o número de morte por aneurisma também é alto, chegando a 6,5 mil por ano.

O aneurisma é o principal distúrbio da aorta. Trata-se de uma dilatação que aumenta o calibre do vaso. Embora possa acontecer em diversas partes, a maioria dos casos de aneurisma é abdominal, conta o Prof. Dr. Enio Buffolo, cardiologista do HCor.

 

Responsável pelo desenvolvimento da técnica de revascularização do coração sem circulação extracorpórea, que lhe rendeu homenagens em todo o mundo, inclusive a inscrição de seu nome no monumento a Hipócrates, na Grécia, e pelo aperfeiçoamento no tratamento endovascular das dilatações da aorta, em meados dos anos 90, o cardiologista conta que o aneurisma não apresenta sintoma, e geralmente é detectado em exames de rotina.

O indivíduo não sente nada. Por isso, o fundamental é acompanhar a saúde, fazendo check-ups, principalmente quem tem antecedente genético, o que inclui os familiares com pressão alta também, alerta o cardiologista.

 


 

CAUSAS DO DISTÚRBIO DA ANEURISMA

Ainda segundo ele, as causas do distúrbio do aneurisma têm fundo genético, às vezes, os antecedentes vêm dos pais ou avós, por exemplo. “O que geralmente acelera o problema é a pressão alta e o depósito de gordura nas paredes da aorta, o que não está relacionado obrigatoriamente à alimentação”, conta o cardiologista.

Buffolo conta que a gordura fica depositada nas paredes da aorta principalmente por conta do fumo e do colesterol alto. “É lógico que uma alimentação inadequada acelera o processo, tendo como substrato fatores genéticos e de pressão alta”, completa.

DISSECÇÃO DE AORTA

Outra doença da aorta que merece atenção é a dissecção. Trata-se de uma alteração que ocorre em uma camada que chama íntima. O sangue penetra e passa a percorrer por dois caminhos, o verdadeiro e o falso e isso acaba evoluindo para a rotura da aorta. “É como se fosse um cano vazando e que vai infiltrando o subsolo. A dissecção pode ocorrer mesmo em quem não tem a dilatação da aorta” esclarece o cardiologista.

Enquanto casos de aneurisma são mais comuns no abdômen; as dissecções começam na aorta torácica. “Também, ao contrário das dilatações, a dissecção traz uma dor muito forte no peito e se confunde muito com infarto. Dá para suspeitar que é dissecção de aorta, mas a confirmação só vem com o exame, ecocardiograma ou tomografia de tórax”, finaliza o cardiologista.


GRUPO DE RISCO

São as pessoas com indícios de pressão muito alta e aquelas com síndrome de Marfan, que é uma situação genética – pessoas altas e compridas, com dedos longos, que apresentam algum grau de deformidade do tórax e alterações sistêmicas. Pacientes com essa síndrome são altamente propensos a ter dissecção de aorta.

 

Mostrar qual área do corpo a aorta percorre (muitos acham que ela está apenas no coração). Ela pode se dividir em cinco partes.

Durante a vida, a aorta absorve o impacto de 2 a 3 bilhões de batimentos cardíacos enquanto distribui aproximadamente 2 milhões de litros de sangue pelo corpo.


A AORTA E O HCor

Quem sofre com distúrbios da aorta, encontra no HCor os mais avançados recursos para o tratamento.

As salas híbridas, por exemplo, ajudam a diminuir a agressividade da cirurgia. “Muitos casos de dissecção de aorta podem ser tratadas por via endovascular, pelo acesso da virilha, sem a necessidade de abrir o tórax – é uma punção, que introduz uma agulha com um cateter que solta uma espécie de guarda-chuva que veda a dilatação ou o buraco da dissecção”, explica o cardiologista.

Além disso, a sala híbrida tem a reconstrução, em três dimensões, da imagem da tomografia, o que permite que a cirurgia ocorra sem grandes surpresas.

O hospital oferece ainda ao paciente o Centro de Tratamento de Doenças da Aorta, em funcionamento há quatro anos. “O paciente que passa pelo centro vai ser visto por uma equipe multidisciplinar, que inclui geneticistas, clínico, cirurgião, intensivista, etc. Assim, problemas muito graves podem ser tratados com menor risco e mais segurança”, encerra o cardiologista Buffolo.

Atenção aos sinais de doenças cardiovasculares

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