Novas opções de combate ao colesterol

Apresentado em recente reunião do “American College of Cardiology”, os inibidores da PCSK9 - proteína que bloqueia os receptores de LDL no fígado - têm se mostrado bastante eficazes na redução dos níveis de colesterol

Novas opções de combate ao colesterolO colesterol vem sendo estudado e combatido há décadas. Porém, se depender da ciência, o principal causador de infartos e AVCs deve estar com os dias contados. Estudos apontam grande efetividade de novas drogas no combate ao colesterol e um promissor futuro nesse sentido. “O colesterol é importante para várias funções do nosso organismo, mas, em excesso, causa dislipidemia, que é uma doença sistêmica e provoca obstruções de vasos sanguíneos no coração, cérebro e sistema circulatório. Por isso, é muito importante estar controlado”, explica o Prof. Dr. Antonio Carlos Chagas, cardiologista do HCor.

Os últimos 50 anos foram importantes para o conhecimento da dislipidemia. Além da reeducação alimentar, exercícios e controle do peso, a doença pode ser tratada com medicamentos como colestiramina, ácido nicotínico, fibratos e ômega 3. Mas a grande revolução no tratamento aconteceu com a descoberta das estatinas, na década de 70, que promoveu uma redução progressiva da doença, pois, não só reduziam o LDL, conhecido como “colesterol ruim”, como diminuíam inflamações e agiam na melhora dos efeitos cognitivos.

Embora muito eficazes, principalmente quando associadas a outros medicamentos, alguns pacientes não conseguiam ser tratados, pois apresentavam intolerância, efeitos colaterais ou níveis muito elevados de colesterol. “Existe a condição da hipercolesterolemia familiar, que afeta uma em cada 250 pessoas no mundo e desenvolve a doença numa intensidade muito maior, em um curto espaço, podendo dobrar as chances de um evento cardiovascular”, salienta Dr. Chagas.

Novidade

Apresentado em recente reunião do “American College of Cardiology”, o grupo mais atual de drogas, que tem se mostrado bastante eficaz, são os inibidores da PCSK9 (proprotein convertase subtilisin/kexin type 9). O medicamento faz com que o receptor de LDL hepático tenha o seu bloqueio de tal maneira que terá ação sobre o nível de colesterol no sangue.

Embora as estatinas continuem tendo seu papel de relevância, cada nova descoberta beneficia mais pacientes. Os inibidores da PCSK9 são boas opções para o tratamento de casos de hipercolesterolemia familiar.

“O futuro pode ser mais brilhante que o que temos hoje. Esse avanço é fundamental e temos que continuar as pesquisas e o entendimento do problema para saber exatamente qual medicamento utilizar e em qual perfil de paciente. Hoje conseguimos impedir a progressão da doença e temos que fazê-la regredir. Existem estudos que já apontam essa possibilidade, mas esse ainda é um grande desafio”, comenta Dr. Chagas.

A hipercolesterolemia familiar pode antecipar um evento cardiovascular. Por exemplo, um indivíduo que possivelmente teria um infarto aos 60 anos pode ter aos 30 ou, em casos extremos, aos 18 anos.