Programa de Insuficiência Cardíaca amplia expectativa de vida dos pacientes

Em cinco anos, protocolo de tratamento conseguiu reduzir em até 30% a taxa de mortalidade, proporcionando melhor qualidade de vida e bem-estar aos cardiopatas monitorados no grupo

Enfermeira Bárbara Reis Tamburim
A enfermeira Bárbara Reis Tamburim, que integra a equipe multidisciplinar do Programa de Insuficiência Cardíaca, monitora…

A IC (Insuficiência Cardíaca) é a terceira doença clínica que mais causa internação pelo SUS (Sistema Único de Saúde) no país. Estima-se que 2% da população brasileira seja acometida pela cardiopatia, que a cada ano registra 200 mil novos casos, segundo relatório divulgado recentemente pela SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia). A doença ocorre quando o músculo cardíaco começa a ficar fraco, dilatar e passa a ter um desempenho muito ruim. O indivíduo não consegue subir sequer um lance de escada, pois fica totalmente tomado pela fadiga.

No HCor há um Programa de Cuidados Clínicos destinado a pacientes com IC. Referência no Brasil por coordenar o protocolo da doença junto à SBC e AHA “American Heart Association” o programa iniciou em 2011 e conseguiu, em cinco anos, diminuir a taxa de mortalidade em até 30%. Este programa gerencia todos os pacientes com insuficiência cardíaca da instituição, desde a entrada no pronto-socorro, permanência na UTI até o pós-alta. Estes pacientes continuam sendo monitorados durante dois anos via contato telefônico por meio de uma equipe multidisciplinar.

O programa tem o objetivo de educar e promover uma assistência de excelência que irá oferecer todo suporte ao paciente internado, além de um serviço especializado no tratamento clínico e cirúrgico disponível ao corpo clínico. “Este programa traz muitos benefícios a esse grupo de pacientes considerados especiais, os quais precisam de um atendimento específico e especializado. Com ele conseguimos reduzir significativamente as reinternações, melhorar a qualidade de vida do paciente e a consciência do tratamento”, explica o cardiologista e coordenador do Programa de Cuidados Clínicos para Pacientes com IC do HCor, Dr. Félix Ramires.

O paciente receberá, após a sua alta hospitalar, acompanhamento telefônico da equipe de enfermagem, que tem como objetivo aumentar a aderência ao tratamento

“Por meio deste programa multidisciplinar, o paciente receberá, após a sua alta hospitalar, acompanhamento telefônico da equipe de enfermagem, que tem como objetivo aumentar a aderência ao tratamento, bem como orientar o autocontrole com medidas de detecção precoce como, por exemplo, o controle do peso, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, entre outros”, esclarece Dr. Félix.

Estilo de Vida Saudável

Paciente Martinho Prado Neto
…o paciente Martinho Prado Neto, por meio de contato telefônico.

Nesse programa, uma equipe multidisciplinar composta por médico, fisioterapeutas, nutricionistas, farmacêuticos, psicólogos e enfermeiros fornece informações importantes ao paciente sobre a insuficiência cardíaca. “Cuidados necessários referente à reeducação nutricional, apoio psicológico e conselho para abandonar o tabagismo, orientação da equipe de enfermagem e fisioterapia sobre a importância da atividade física supervisionada e orientada, além de todo suporte durante a permanência no hospital até a sua alta hospitalar, fazem parte do contexto deste programa”, explica o cardiologista.

De acordo com o DATASUS, a Insuficiência Cardíaca é a terceira causa de internação clínica do SUS (Sistema Único de Saúde) e representa 33% de todas as internações de origem cardiovascular, sendo considerada a doença cardiovascular mais prevalente, principalmente na população mais idosa. O DATASUS revela, ainda, que a IC tem um impacto expressivo dentro do universo de internações hospitalares.

A insuficiência cardíaca merece toda a atenção, pois pode ter um desfecho fatal muito rapidamente. “Além disso, é uma enfermidade que pode levar o paciente a ficar bastante tempo internado. Mesmo depois de ter alta, o risco de uma possível reinternação aumenta em 50%. A doença é progressiva, crônica e vai afetar demais a qualidade de vida do paciente”, finaliza Dr. Ramires.