Nova técnica minimamente invasiva permite corrigir lesões na coluna do feto

Cirurgia é realizada em uma fase mais precoce da gestação e oferece menos riscos neurológicos

técnica minimamente invasiva para corrigir lesões na coluna do feto

A Unidade Fetal do HCor,  referência no tratamento de patologias fetais, desenvolveu uma nova técnica para a correção da mielomeningocele, defeito da coluna do feto que deixa exposta a medula espinhal e as raízes nervosas, levando a inúmeras alterações neurológicas.

O novo procedimento, realizado entre a 20ª e 23 ª semanas de gestação, é feito por meio de uma pequena incisão de 2,5 cm no útero, com o auxílio de microscópios de alta resolução. Diferente da técnica cirúrgica considerada padrão, que faz um corte um pouco maior (de 4 cm a 5 cm), em uma fase mais adiantada da gravidez (na 26ª semana), esta nova técnica resulta em maior segurança para a gestante durante e após a cirurgia.

Idealizada pelo coordenador do grupo de cirurgias fetais do HCor, Dr. Fábio Peralta, e pelos doutores Antônio de Salles, responsável pelo Departamento de Neurociência, e Rafael Botelho, responsável pela Obstetrícia, o novo procedimento já beneficiou cerca de 50 bebês com
excelentes resultados.

De acordo com Dr. Peralta, com a nova técnica a medula do feto fica menos tempo exposta ao líquido amniótico e há menos lesão ao tecido neurológico. O bebê tem mais chance de não ter sequelas e de precisar de um dreno no cérebro – para retirar o líquido que pode acumular e causar lesões nos nervos expostos.

A correção intra-útero da mielomeningocele já era realizada no país por meio de técnicas convencionais, ou seja, através de incisões de 4 cm a 5 cm no útero. Este tipo de acesso ao feto está associado a significativa taxa de complicações maternas e fetais, de rotura prematura de membranas, de prematuridade, além de deixar a gestante com grande cicatriz no corpo do útero (o que pode comprometer o futuro reprodutor da paciente).

“Na cirurgia que realizamos, o útero é exposto através de uma incisão no abdômen da gestante, semelhante à da cesariana, da mesma forma que é feito na cirurgia intra-útero convencional para mielomeningocele. No entanto, operamos o feto por uma abertura no útero de 2,5 cm, o que praticamente elimina o risco de rotura uterina após a cirurgia e expõe a paciente e o feto a riscos mínimos e controláveis durante e após o procedimento”, esclarece o neurocirurgião do HCor, Dr. Antonio De Salles.

Unidade Fetal HCor

Referência internacional em cirurgia fetal, o HCor tornou-se um dos mais importantes centros de tratamento de doenças fetais do Brasil. Desde a sua inauguração, em 2007, a unidade já realizou mais de 300 cirurgias em fetos com malformações neurológicas, cardíacas, pulmonares, urológicas entre outras. Para a gestante, essas intervenções são consideradas muito seguras, sendo raras as complicações, como sangramentos ou infecções. Todo esse cuidado é justificado diante da incidência de bebês portadores de malformações congênitas, que chega a 2% de todos os nascidos.