Prevenção contra HPV começa na adolescência

A vacinação é a principal forma de prevenção contra o vírus, segundo a Organização Mundial da Saúde; ginecologista do HCor recomenda que ela seja aplicada antes do início da vida sexual

Prevenção Contra HPV Começa na Adolescência
Há vacinas indicadas para meninas e jovens de 9 a 26 anos

Embora o HPV (Papilomavírus humano) seja uma doença sexualmente transmissível, a prevenção pode começar bem antes da vida sexual. Já existem vacinas indicadas para meninas e jovens de 9 a 26 anos. “São três doses. O ideal seria que elas fossem tomadas antes da iniciação sexual, quando ainda não houve contato com o vírus. A eficácia da vacina é alta: 95% de sucesso no combate às principais cepas causadoras de câncer”, afirma Dra. Regina Paula Ares, ginecologista do HCor.

Quando a vida sexual começar, recomenda-se o uso de preservativo para reforçar a prevenção contra o HVP. Mas a camisinha, nesse caso, não é 100% segura. “Como a infecção depende apenas do contato com a pele e não necessariamente da penetração, é importante o uso do preservativo desde o início da relação. Isso ajuda, mas não oferece proteção total contra o HPV. A vacinação, segundo a Organização Mundial da Saúde, é a principal forma de prevenção contra o vírus.”, afirma.

O HPV se destaca como uma das Há vacinas indicadas para meninas e jovens de 9 a 26 anos doenças sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Oito entre dez mulheres sexualmente ativas contraem pelo menos um tipo do papilomavírus ao longo da vida. O Ministério da Saúde registra 137 mil novos casos no país a cada ano. Hoje, o desenvolvimento da doença é responsável por 90% dos casos de câncer de colo de útero.

Existem mais de 150 tipos (cepas) de vírus, explica a Dra. Regina. A doença se manifesta como verrugas nas regiões genitais de homens e mulheres. No entanto, só os tipos mais suaves do HPV desenvolvem tais sintomas. Os que atuam de maneira imperceptível podem produzir problemas mais sérios e levar ao câncer.

A maioria das pessoas não apresenta nenhum sintoma ao contrair a doença e, por isso, não procura tratamento. Esse comportamento é o grande responsável pela disseminação do vírus

O Brasil é um dos líderes mundiais em incidência de HPV. As vítimas preferenciais são mulheres entre 15 e 25 anos, embora a doença também acometa os homens. O número menor de registros no sexo masculino pode ser explicado pela baixa procura dos homens por serviços de urologia, por preconceito ou falta de informação, o que tornaria a doença subdianosticada.

Há três formas de contrair o HVP: em relações sexuais, por via sanguínea ou por transmissão vertical (de mãe para filho, na hora do parto). Discreta, a doença pode permanecer incubada por um ano e, às vezes, por muito mais tempo. Assim, é difícil saber quando o vírus foi contraído. A ginecologista do HCor explica que o exame de Papanicolau pode detectar a doença desde a fase inicial nas mulheres. “O Papanicolau é o primeiro exame indicado. Quando a doença está em fase aguda, ele é capaz de descobrir facilmente a presença do vírus”, afirma.

Nesse tipo de exame, recolhe-se um material da parede do colo uterino para análise em laboratório. Se houver resultados alterados, o ginecologista deve recorrer ao exame de colposcopia para analisar o colo do útero.

Para evitar que a contaminação pelo HPV se transforme em câncer, é fundamental que as mulheres se submetam ao papanicolau regularmente. Número elevado de gestações, o uso de contraceptivos orais, tabagismo e infecção por HIV ou outras doenças sexualmente transmissíveis também podem favorecer o surgimento de tumores no colo do útero.

Um levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostrou que existem cerca de 18 mil novos casos de câncer de útero a cada ano no país. A maioria tem ligação direta com o HPV, como sugere outro estudo realizado pelo Instituto Ludwig de Pesquisas – um dos centros de excelência no assunto. Estima-se que nove em cada dez casos de câncer de útero tenha ligação com a presença de HPV no organismo.

“A maioria das pessoas não apresenta nenhum sintoma ao contrair a doença e, por isso, não procura tratamento. Esse comportamento é o grande responsável pela disseminação do vírus”, alerta a ginecologista do HCor. É importante ressaltar que toalhas, roupas e superfícies como a tábua do vaso sanitário também favorecem a transmissão do vírus.

Entenda o HPV

Nome

Papilomavírus humano

Transmissão

Relações sexuais, Via sanguínea Vertical (de mãe para filho, no parto)

Sintomas

Não provoca dor e costuma ser assintomático Pode causar pequenas verrugas

Risco

Pode evoluir para um câncer de colo de útero

Prevenção

Vacina contra HPV, aplicada em três doses, indicada para meninas e jovens entre 9 e 26 anos

Diagnóstico

Exame de papanicolau. Deve ser realizado uma vez ao ano, depois do início da vida sexual