Sala híbrida leva exames de imagem para dentro do centro cirúrgico

Novo modelo reúne tecnologia avançada para garantir mais segurança aos casos de alta complexidade

Exames de imagem na sala de cirurgia
Sala híbrida para procedimentos cardiovasculares

 

Por mais simples que seja a cirurgia, é preciso que o paciente passe por exames antes e depois do procedimento. Os exames anteriores vão ajudar no planejamento da operação, enquanto os exames posteriores servem para verificar o sucesso das intervenções. Embora essa rotina seja eficaz em casos simples, existem diversos procedimentos cirúrgicos bem mais complexos e delicados, que podem se tornar mais seguros e eficientes com outros modelos de acompanhamento.

Essa é a proposta das salas híbridas. Elas levam os exames de imagem mais sofisticados que existem ao centro cirúrgico, para que eles possam ser utilizados durante o procedimento. Assim, os cirurgiões passam a usar imagens de alta resolução, atualizadas em tempo real. Na prática, o médico ganha um olhar ampliado do problema. Em casos de tumores do cérebro, por exemplo, não são raras as situações em que o câncer não é totalmente visualizado pelo cirurgião. Parte dele pode ser deixado durante a cirurgia, tornando necessária outra intervenção para retirá-lo completamente.

Brain Suite, A Sala Híbrida para Cirurgias no Cérebro
Brain Suite, a sala híbrida para cirurgias no cérebro

“Dentro da sala híbrida, temos mais controle da situação. Quando o procedimento termina, o paciente é analisado com uma nova imagem de ressonância magnética para garantir que a remoção foi completa”, explica Dr. Antonio De Salles, neurocirurgião do HCor Neuro. Em janeiro, o hospital inaugurou um prédio com duas salas híbridas – uma focada em procedimentos neurológicos e oncológicos e outra para cirurgias cardiovasculares. A sala de neuro é chamada de “Brain Suite” e reúne recentes conceitos de cirurgia de alta complexidade, baseada em projetos desenvolvidos nos Estados Unidos e na Alemanha.

Na sala híbrida para procedimentos cardiovasculares, o grande desafio está na busca por soluções ainda menos invasivas de tratamento. O Dr. Carlos Pedra, cardiologista do HCor, explica que as imagens de um raio X em três dimensões, semelhantes às de uma tomografia, são sobrepostas e comparadas por um sistema informatizado.

Essa integração de imagens é usada como guia de navegação em cirurgias. Com auxílio do software Econavigator, o ecocardiografista faz marcações para garantir precisão milimétrica ao intervencionista. “Isso possibilita uma recuperação mais rápida do paciente, pois a tecnologia aplicada ao procedimento o torna menos invasivo”, explica Dr. Pedra.

Novos procedimentos

Os recursos desses modernos centros cirúrgicos dão margem para a criação de procedimentos ainda mais seguros e eficientes. “Conforme utilizamos o espaço, encontramos a possibilidade de novas aplicações como, por exemplo, a broncoscopia (exame que visualiza o sistema respiratório) por meio do cateterismo. É um aprendizado constante”, revela Dr. Pedra.