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HCor Explica / Cardiologia

A importância do exame de cateterismo cardíaco

Você sabia que um quarto da população brasileira é diagnosticada com hipertensão arterial? É um número alarmante, sem dúvidas, e para manter a saúde controlada, muitas dessas pessoas precisam realizar um procedimento conhecido como cateterismo cardíaco. Ele também pode ser chamado de cinecoronariografia ou angiografia coronária ou ainda estudo hemodinâmico.

Trata-se de um exame invasivo que não serve apenas para ajudar no controle da hipertensão arterial, mas também ajuda no diagnóstico de outras patologias cardíacas, como a cardiomiopatia hipertrófica.

Vamos agora entender um pouco mais sobre esse procedimento, por que ele é realizado, como e de que forma ele pode ajudar na saúde do coração. Confira.
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Entendendo o coração

Para compreender por que o cateterismo é realizado em algumas situações, primeiro precisamos entender um pouco sobre como funciona o coração.

A principal função desse órgão é bombear o sangue para todo o corpo e também para os pulmões. Quando o sangue retorna ao coração para ser oxigenado pelos pulmões, ele vem por meio das artérias coronarianas. Elas são as responsáveis por irrigar o músculo cardíaco.

Entre as muitas doenças que acometem esse órgão tão importante do organismo, podemos falar da cardiopatia isquêmica. Essa é uma situação que acontece quando uma das artérias está obstruída, ou seja, entupida a ponto de não deixar o sangue passar. Dessa forma, a área que a artéria irriga fica sem sangue e, consequentemente, sem oxigenação. O resultado é uma restrição do fluxo sanguíneo (isquemia) e morte do tecido.

Como o coração não recebe sangue o suficiente para realizar suas funções, ele começa a dar sinais de falha e desencadeia sintomas como a dor no peito e, em casos mais graves, pode levar a infarto e morte. Esse entupimento das artérias pode ser por causa de coágulos (trombos) ou então do acúmulo de placas de gorduras nas paredes dos vasos.

Há outros motivos que podem contribuir para a redução do fluxo sanguíneo que vão além da formação e acúmulo das placas de gordura. Temos, por exemplo, diabetes, fumo, sedentarismo, obesidade, hipertensão arterial, estresse e outros. Assim, é preciso ter muito cuidado com o coração, pois ele pode ser afetado negativamente de várias formas.

E qual a função do cateterismo nisso?

Agora que você já compreende um pouco sobre o funcionamento do coração e como ele pode ser afetado, entenderá melhor por que algumas vezes o cateterismo é necessário.

Trata-se de um tipo de exame utilizado tanto para estabelecer um diagnóstico como também para avaliação do paciente. Por meio dele, é possível ao especialista saber como anda o funcionamento do coração e as condições do sistema circulatório no órgão, ou seja, se a irrigação de sangue está sendo realizada de forma satisfatória.

É um exame padrão-ouro para diagnosticar qualquer tipo de lesão nas artérias coronárias, o que, por sua vez, consegue indicar lesão no músculo cardíaco.

Como o cateterismo cardíaco é realizado?

É um exame invasivo no qual é introduzido um cateter (um tubo comprido, fino e flexível) em uma veia ou artéria. A incisão costuma ser feita na prega interna do cotovelo, punho ou então na virilha. Esses locais são úteis porque, ao ser introduzido o fio, ele consegue alcançar o coração sem grandes desvios, facilitando o procedimento.

O cateter serve para oferecer informações importantes, como pressão arterial e também para a introdução de contraste com iodo opaco para a realização de exames de imagem como o raio-X. Isso ajuda os especialistas a analisar o coração com riqueza de detalhes enquanto ele está batendo. Dessa maneira, é possível identificar se há algum tipo de obstrução ou se o sangue está tendo dificuldade em passar pelas artérias e irrigar o órgão.

Como é feito o preparo do paciente?

O médico responsável fará a instrução necessária e também verificará o uso de medicamentos, como anticoagulantes, entre outros. É preciso ficar em jejum tanto de alimentos quanto de líquidos de quatro a seis horas antes de realizar o exame. É importante que levar um acompanhante, já que, a anestesia é necessária na maioria dos casos.

O exame pode ser realizado com o paciente internado ou não. O paciente internado é, normalmente, aquele que sentiu dor no peito (angina) e teve que permanecer no hospital para avaliação e novos exames. O cateterismo cardíaco será marcado e o paciente será levado para a sala de observação com os exames já realizados por um membro da equipe e com acompanhante.

Para aqueles que não estão internados, basta marcar o exame com o especialista e estar no local na data marcada com o seu acompanhante. É preciso lembrar-se de levar documentos, exames, receitas e as medicações que se está utilizando.

Ainda antes de realizar o procedimento em si, o paciente deve assinar um termo de consentimento. Ele serve para concordar com o exame que será realizado e declarar que está ciente de tudo. É também nesse momento que algum profissional da equipe explicará como funcionará o cateterismo cardíaco, quando o paciente poderá tirar todas as suas dúvidas restantes.

Se acontecer com você, faça todas as perguntas que achar necessárias, pois isso o deixará mais tranquilo para a realização do procedimento, o que é fundamental. Além de informar as medicações, explique também se possui algum tipo de alergia. Não precisa ser apenas a medicamento, mas qualquer tipo, até as alimentares.

Durante o procedimento

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Durante o exame, o paciente permanece acordado e ajuda o médico seguindo alguns comandos, como respirar profundamente segurando o ar por alguns segundos. Esse é o tipo de respiração que deve ser mantida até que o médico informe que não precisa mais. A anestesia é local no adulto, porém, na criança, o cateterismo é feito apenas com anestesia geral.

Como há muitos monitores e equipamentos com telas, o ambiente do exame precisa ser escuro. O paciente é colocado em uma maca cirúrgica e interligado a equipamentos de monitoramento que servem para acompanhar os batimentos cardíacos, a pressão arterial e também a frequência respiratória.

É preciso raspar os pelos no local e ao redor, especialmente se o cateter for introduzido pela virilha. Isso é necessário para reduzir o risco de infecções. O cateter é então guiado com a ajuda do raio-X, ou seja, o profissional estará vendo, por meio da tela, exatamente onde o fio está e por onde ele precisa passar até alcançar o local pretendido.

É comum sentir alguns efeitos, como ânsia de vômito, dor no peito, entre outros. Nesse caso, deve-se sempre avisar à equipe médica.

O exame costuma durar, em média, 30 minutos. Durante todo esse tempo, o procedimento é gravado para que possa ser analisado em detalhes posteriormente. A seguir, o paciente será direcionado para a sala de observação onde será monitorado para verificarem se seus sinais vitais estão normais e poderá comer e receber visitas.

O que acontece depois do exame?

O pós-exame vai depender muito do local onde o cateter cardíaco foi colocado. Veja abaixo.

Braço

Você deve ir ao posto de saúde mais próximo ou então ao mesmo hospital ou clínica para a remoção dos pontos depois de oito dias.

Braço — punho

Outro local por onde o cateter pode ser inserido é no punho e, se esse for o caso, os pontos não serão necessários. O paciente deve permanecer na sala de exames e em repouso por três horas. É importante que, durante esse tempo, o braço não seja dobrado. Logo após a remoção do cateter, é colocado um curativo compressivo, um tipo de pulseira que, depois de duas horas, deve ser trocado por um curativo oclusivo.

Virilha

A remoção do cateter é realizada na sala de observação. Para evitar que ocorra sangramentos, é realizada uma forte pressão no local onde o cateter foi inserido, que dura em torno de 20 minutos. Em seguida, um curativo compressivo é colocado no local e este deve permanecer por quatro horas. Durante esse período, a perna deve ficar imóvel para evitar sangramentos.

Caso não esteja internado, um profissional e o acompanhante vão ajudar o paciente a se vestir e a se sentar em um cadeira de rodas. A alta só vai acontecer se realmente não houver risco de sangramento ou qualquer outro problema.

Ainda após o exame, é necessário tomar alguns cuidados que também serão passados pela equipe. Uma das recomendações é a de tomar bastante água para eliminar, o quanto antes, o líquido do contraste por meio da urina. O paciente deve permanecer deitado com a cabeceira levemente inclinada.

A inclinação não deve ser demasiada em casos de cateterismo pela virilha para evitar sangramentos. A cabeceira só poderá ser elevada a 45º depois de três horas após o procedimento.

Na hora de comer, a melhor opção é ingerir líquidos por meio de um canudo para evitar levantar a cabeça. Pode-se comer alimentos sólidos sem problemas, contanto que o paciente não precise elevar muito a cabeça.

Há riscos?

Estamos falando de um procedimento invasivo, portanto, os riscos sempre vão existir por melhor que seja a equipe responsável. Há o risco de complicações mais graves, como derrame (também chamado de AVC), infarto e sangramento no local da punção. Porém, esse risco é muito baixo, menor que 1%.

Há também riscos associados ao uso do contraste, como insuficiência renal e alergia. Essas situações também são raras e, caso ocorram, toda a equipe estará preparada para qualquer intercorrência.

Há outras formas de realizar o exame?

Atualmente, é possível encontrar em São Paulo alguns tipos de tomografia chamadas de Multi-slices, também conhecidas como Multidetectores. A ideia dessa inovação é que não seja mais necessário o exame na forma invasiva.

Usam-se detectores, mais precisamente 64, de última geração para captar imagens de alta qualidade em um mínimo de tempo. O software tem a capacidade de reconstruir digitalmente em uma imagem 3D todas as artérias coronárias, da mesma forma que o exame faz.

Esse método está em estudo e os pesquisadores estão comparando as imagens criadas pelo software com as melhores imagens obtidas pelo cateterismo. Há ainda outros obstáculos à sua ampla aplicação, como poucos aparelhos no mercado e o alto custo desse tipo de exame.